“O poeta falou
que São Paulo enterrou o
samba,
que não tinha gente bamba
e eu não entendi por quê.
Fui à Barra Funda, fui lá
no Bexiga, fui lá na Nenê.
Me perdoa poeta, mas discordo de
você”
(Me perdoa poeta - Leci Brandão)
A
alcunha chistosa de “túmulo do samba” dada a São Paulo por
Vinícius de Moraes e depois reafirmada por Caetano Veloso na música
Sampa, apontava a vocação da cidade para o trabalho, em oposição
à realidade dionisíaca do Rio de Janeiro, que seria o “berço
do samba nacional”
. Esta afirmação se popularizou , fazendo com que vários
compositores e intérpretes – dentre eles a cantora e compositora
Leci Brandão - buscassem resgatar a importância do carnaval
e do samba aqui realizados. Interessante notar que para Viana (1995), não
houve em São Paulo um movimento para a divulgação
ou nacionalização do samba paulista, como o que ocorreu com
o samba carioca a partir dos anos 30. Em nossa opinião, deve ser
considerado o fato do Rio de Janeiro ter sido a capital do país
por um longo período; o que lhe proporcionou maior visibilidade.
A
partir do material recolhido durante a etnografia realizada nas escolas
de samba Vai-Vai e Unidos do Peruche, no período anterior à
realização do carnaval de 2007 (agosto a janeiro), agrupamos
elementos que se direcionam para a diversidade dos participantes do mundo
do samba
,
que se transmuda em distintas representações e discursos,
impregnados de um valor histórico a respeito da importância
do samba na conformação dos bairros da Bela Vista e Parque
Peruche.
Buscando
analisar a variedade de significados a respeito da importância do
samba para os bairros, e vice-versa, isto é, dos bairros para o
samba, optamos pela utilização das categorias “do pedaço”
(Magnani, 1998,
2000,
2002)
e “de fora” (Magnani,
1984)
para se referir aos participantes do “mundo do samba”; por balizar os costumes,
as atitudes e também as representações deles. Ser
“da Peruche” ou da “Vai-Vai” expressa para a maioria das pessoas um forte
sentimento de pertencimento à escola de samba e ao lugar; sentimento
de “donos do pedaço”, proveniente de sua descendência de antigos
moradores de lugares específicos, que guardam idiossincrasias.
A escolha
desses recortes se justifica por serem áreas tradicionais de samba
na cidade de São Paulo. O Parque Peruche encerra um importante destaque
na presença de escolas de samba e blocos carnavalescos. Além
disso, nossa afinidade com a comunidade local facilitou o contato com os
moradores durante a realização do exercício etnográfico.
No caso da Vai-Vai, a escolha foi feita em virtude de ser uma das mais
tradicionais escolas de samba da cidade, localizada em um dos “berços”
do samba paulistano - o bairro do Bexiga; além de ter um caráter
“cosmopolita”, pois congrega freqüentadores dos vários pontos
da cidade.
Utilizando-se
de observação direta e entrevistas abertas, e, dentro das
oportunidades de convivência com os sambistas e moradores, iniciamos
a aproximação com os moradores do Parque Peruche e com os
freqüentadores da escola de samba Vai-Vai, bem como a coleta de informações
para a nossa investigação.
Gradualmente,
as delimitações de algumas idéias foram se configurando,
o que possibilitou refletir sobre as relações e a dinâmica
da vida nos dois bairros. Assim, foram basilares além dos depoimentos,
a observação de fatos do dia a dia e o ingresso nos bastidores
do mundo do samba por meio da participação em festas, ensaios
de bateria e eventos de samba promovidos pela comunidade local. Sem isso,
dificilmente algumas informações dessas comunidades poderiam
ser obtidas.
Neste
sentido, o que esses grupos valorizam e procuram resguardar são
as relações sociais centradas na sociabilidade, cujo referencial
é a suposta solidariedade que existia “quando São Paulo era
da gente...”. Neste contexto, os eventos de samba realizados nas quadras
das escolas surgem com grande distinção, pois são
os momentos de expressão e manifestação dessas relações;
quando então é factível voltar e se apropriar das
ruas do bairro ou de alguns espaços públicos. Acreditamos
que esta seja uma das normas de entrada no “mundo do samba”, pois são
nestes eventos de caráter público que se admitem os “de fora”.
Nessa
medida, não faz parte das normas que orientam a conduta dos sambistas
o valor da individualidade. A história que entremeia sua organização
social é uma história de trocas e auxílios, embora
existam rivalidades e individualismos principalmente envolvendo a disputa
no desfile realizado no Sambódromo.
Além
disso, durante a pesquisa de campo, as palavras que muito ouvimos para
designar a sociabilidade foram “irmandade” e “família”. O “ser sambista”,
apesar das exclusividades procedentes seja da condição de
renda, cor, faixa etária ou de expectativas de vida diferentes relacionadas
à própria história de vida de cada um, traduz-se na
preservação da identificação desse grupo frente
às modificações pela qual a sociedade paulistana passou.
Assim, o processo de metropolização trouxe mudanças:
entrada de novos segmentos populacionais, constituição de
novos bairros pela especulação imobiliária e alterações
em sua formação social. Este “ser sambista” é quem
por oposição, define então o outro: “o estranho”,
o “de fora”, o “turista”, o “chegado”, o “irmão”.
Para
a maior parte dos moradores do Parque Peruche e da Bela Vista, o samba
existe e tem importância enquanto “cultura tradicional”. Entretanto,
é importante destacar que para alguns deles, as escolas de samba
são redutos de marginais que ameaçam a integridade da população
local. Este é o caso de uma parte da vizinhança do bairro
da Bela Vista, que está recorrendo à Justiça para
fechar a quadra da Vai-Vai, por se sentirem incomodados com a interdição
das ruas próximas na época do carnaval
.
Assim, por exemplo, alguns dos vizinhos da Escola de Samba Vai-Vai cobram
do poder público a retirada imediata desta do bairro da Bela Vista,
desprezando o fato de que a representação da própria
escola de samba está plasmada no bairro
.
O samba, enquanto manifestação cultural histórica,
não tem aparência para este grupo que, mesmo morando no bairro
onde os eventos de samba acontecem, pode ser considerado como “de fora”.
Neste sentido, apesar da ampla defesa dos diretores da escola quanto à
importância de se preservar a tradição do samba no
bairro, muitos proprietários se opôem à permanência
da mesma. A fala de um dos proprietários: "quando você morar
perto de uma escola de samba vai entender o que eu estou falando", comprova
que a casa é o território do privado e que aí não
se aceitam intervenções nem incômodos.
Outro
dado interessante observado durante a pesquisa de campo foi em relação
a algumas pessoas que vêm procurando nas escolas de samba um espaço
de diversão, principalmente nos finais de semana, durante os ensaios
pré-carnavalescos. A valorização do estilo musical
“samba de raiz” ganhou espaço na mídia em virtude do valor
comercial que passou a ter. Isto foi ajudado pelo fenômeno de vendas
de compact disc (CDs) nos últimos anos, principalmente devido ao
sucesso de artistas como Zeca Pagodinho, Jorge Aragão e Dudu Nobre.
Assim, também nas escolas de samba, muitos querem ouvir e valorizar
o “tradicional”. Este “samba de raiz” está evidente em modelos ditados
pela indústria cultural, modismo constituído e articulado
por apropriações de noções superficiais e supérfluas
do samba.
Pelo
visto, o que está em questão é a apropriação
do samba e o modo pelo qual ela se dá. Por um lado, temos os sambistas
cuja identidade está atrelada à prática social e à
história familiar, opondo-se muitas vezes às mudanças
impostas pela indústria cultural e do carnaval, cuja modificação
é associada ao enfraquecimento de seu próprio universo. Este
fato se torna evidente no depoimento de Seu Carlão, presidente de
honra da Unidos do Peruche, que enfático afirma: “O que temos hoje
é desfile, não mais carnaval”.
Para
esse grupo o carnaval não tem importância isoladamente, faz
parte do todo e não é o acontecimento mais significativo,
pois não vê essa festa como antes. Ainda para esse grupo,
o carnaval adquire sentido enquanto vinculado a outros eventos que acontecem
durante o ano todo e potencializam o encontro
.
Por
outro lado, os “de fora” que só aparecem nos meses que antecedem
o carnaval, pagam as suas fantasias e têm acesso à escola.
Valorizam a escola de samba, mas sem os mesmos critérios dos membros
permanentes, repletos de sentimentos de pertencimento ao lugar (embora
nem sempre os membros da comunidade morem no bairro). Muitas atitudes se
mostram contraditórias pelos próprios dirigentes das escolas,
já impregnados da preocupação norteadora ditada pela
lógica do lucro, e que em muitas ocasiões desprezam os significados
projetados por muitos em sua incorporação ao conjunto social
da escola de samba e do bairro em que vivem.
Desse
modo, em meio às mudanças que ocorreram e ainda ocorrem na
lógica interna de funcionamento das escolas de samba, é possível
identificar pessoas e até famílias inteiras que estão
se afastando das escolas de samba por não mais concordarem com os
direcionamentos tomados ou por não terem condições
financeiras de continuarem participando dos desfiles carnavalescos.
Seguindo
a proposta da descrição densa (Geertz,
1973), foi dada muita liberdade aos entrevistados, para que se sentissem
à vontade para expor suas opiniões, vivências e pontos
de vista. Esse “deixar o outro à vontade”, intensamente ligado à
idéia de realizar entrevistas abertas com alguma base previamente
formulada, mas sem a utilização de questionários fixos,
restritos e delimitados, retoma de certa maneira o “método geertziano”
da descrição densa; no qual trabalha com a descrição
interpretativa das manifestações culturais, desvendando as
teias de significados tecidas pelos distintos atores sociais.
O
samba na “quebrada” do Parque Peruche
“Nem
reis, nem barões comprarão a consciência de quem faz
arder a chama da resistência” (Nei Lopes)
“Quebrada”
é um termo comumente empregado pelos sambistas, referindo-se ao
lugar de convivência do bairro onde as pessoas estão ou ficam
à vontade; semelhantemente àquilo que o antropólogo
José Guilherme Magnani classificou como sendo o “pedaço”,
O espaço intermediário
entre o privado (a casa) e o público, onde se desenvolve uma sociabilidade
básica, mais ampla que a fundada nos laços familiares, porém
mais densa, significativa e estável que as relações
formais e individualizadas impostas pela sociedade (Magnani, 1998,
p. 116).
A zona
norte de São Paulo possui um grande número de escolas de
samba da cidade, com destaque para aquelas que fazem parte do grupo especial
da Liga das Escolas de Samba de São Paulo, que controla a “elite”
do carnaval de São Paulo. Podemos citar: Unidos do Peruche,
Rosas de Ouro, Mocidade Alegre, Império de Casa Verde, Unidos de
Vila Maria, X9 Paulistana; sem contar tantas outras que não estão
nesta classificação da Liga, mas fazem parte
do samba paulistano.
Demarcando-se
inicialmente uma área a ser pesquisada - o Parque Peruche na zona
norte da cidade - observamos grupos diversos e os diferentes significados
atribuídos ao samba, ao cotidiano e à memória do bairro
e de seus familiares. Desde os primeiros contatos e entrevistas foi constatada
a divisão dessa população entre os que são
da “quebrada” ou seja, “do pedaço”; e os que não são:
na maioria pessoas de outras regiões e que não residem por
ali.
Iniciamos
com uma questão genérica acerca do interesse em conhecer
um pouco da história do samba no bairro. Em seguida solicitávamos
que nos contassem o que sabiam sobre a história do samba naquele
lugar.
Pouco
a pouco fomos constatando que, para os mais velhos, falar do bairro tinha
o sentido de restauração da memória afetiva fundada
nas festas comunitárias e nas relações familiares.
Ao reconstituir a memória de alguns sambistas, mostravam-se as relações
entre os grupos e as escolas de samba no cotidiano da cidade. Entranhados
no passado, iam ao longo das conversas nos fazendo entender um pouco da
história do bairro e da cidade. Assim, o Parque Peruche mostrou-se
como importante locus de produção de samba e de esperança,
apto a aglutinar pessoas e tecer seus cotidianos:
Eu não consigo imaginar
o bairro sem a escola de samba Unidos do Peruche. Sem ela, o bairro ficaria
vazio (José)
A raiz da escola está
neste lugar. Para nós é gratificante ter uma escola de samba
num bairro como esse (Dona Ana)
Repletos de estima pelo passado
e por sua história, dão mérito às suas características
de “pessoas da área”. Embora o bairro tenha mudado muito com o passar
dos anos, ainda manifesta a tradição do samba conduzido de
geração em geração, atuando como “cimento social”:
Samba é coisa que
está no sangue. Uma vez que você entra não sai mais,
não tem jeito. Aqui é uma família, todo mundo se conhece
desde pequeno. Eu moro aqui no Parque Peruche desde quando nasci. Quem
fundou a escola foram meus familiares. A Unidos do Peruche é o meu
segundo coração. (Carlos)
Com o passar dos anos, a intensa
urbanização no bairro gerou forte aumento populacional e
fez com que essa realidade “de bairro” passasse por transformações
muito expressivas. Assim, surgiram mais duas escolas de samba: a Morro
da Casa Verde em 1962 e a Império de Casa Verde em 1995, além
da Unidos do Peruche que já existia desde 1956:
Com o crescimento populacional,
surgem o Morro da Casa Verde e a Império de Casa Verde, frutos de
um mesmo ideal, embora com interesses diferenciados (Valter).
Essas sensações
concernentes aos interesses diferenciados de cada escola evidenciam-se,
principalmente, em decorrência da competição no Sambódromo
entre as duas escolas do Grupo Especial: a Império de Casa Verde
e a Unidos do Peruche (esta última rebaixada no carnaval 2007).
A Império de Casa
Verde possui uma dinâmica diferenciada de política interna
em relação a Unidos do Peruche e Morro da Casa Verde, pois
o problema dinheiro nunca fez parte das suas dificuldades. Sua quadra para
ensaios é um verdadeiro castelo imperial, com colunas romanas estereotipadas
nas suas laterais da entrada e um enorme tigre ao centro. Ali existe um
importante poder paralelo que extrapola o mundo do samba (Valter).
Por outro lado, existe um discurso
de pertencimento ao lugar, mesmo entre as pessoas que freqüentam escolas
distintas. É esse o discurso preponderante que manifestado pelos
moradores do bairro caracteriza profundamente os “de dentro”, não
importando a condição sócio-econômica ou a faixa
etária em que se encontrem. Para a maioria, a idéia de irmandade
é um elemento forte presente no cotidiano, nos encontros, no lugar:
Embora existam rivalidades
entre as escolas, o discurso da irmandade prevalece. O conflito se expõe
na apuração, mas, no geral, existe uma camaradagem muito
grande. Em alguns casos, ocorre o auxílio financeiro para a escola
poder desfilar e até o empréstimo de peças de bateria
(Tiarajú).
Há, nesse discurso, algumas
particularidades que merecem destaque, sobretudo no tocante às irmandades
religiosas presentes em São Paulo no início do século
XX. Este período é marcado por restrições intensas
com relação à prática religiosa, sendo as irmandades
a grande saída encontrada para a resistência da religiosidade
atrelada ao candomblé que, no começo do século, passa
a incorporar mais intensamente algumas mudanças provenientes das
pressões impostas pela Igreja Católica, desde aquela época
representante da religião oficial. Como questão de sobrevivência,
muitos negros tiveram que se associar para poder ter maior força
na consolidação de sua resistência, diante da espoliação
imposta:
Além das atividades
religiosas que se traduziam na organização de procissões,
festas, coroações de reis e rainhas, as irmandades também
exerciam atribuições de caráter social como: ajuda
aos necessitados, assistência aos doentes, concessão de dotes,
visita aos prisioneiros, proteção contra os maus tratos dos
senhores e ajuda para a compra da carta de alforria. A mais famosa dentre
as inúmeras irmandades de pretos é a de Nossa Senhora do
Rosário. Desde os séculos XV e XVI era sob essa invocação
que em Portugal se congregavam os homens negros (Quintão,
2002, p. 75).
Ainda hoje, muitos negros buscam
se associar para restabelecer a identificação perdida na
grande cidade, invocando-se a posição de descendentes de
famílias escravizadas, sobretudo nas fazendas de café. Recuperar
na memória a história do bairro onde passaram a infância
e a juventude através da comparação com os avós
e bisavós, significa reaver as suas próprias histórias
que, apesar de diferentes, vêm impregnadas das heranças culturais
referentes ao ser negro no Brasil.
Todo mundo se junta, todo
mundo participa, busca formas de manter a escola de samba. Aqui somos todos
irmãos, seja na cor da pele, seja nos sentimentos (Carlos).
No “pedaço” do Parque
Peruche, existe uma busca pelos que são iguais, intricando
uma rede de relações que combina laços de parentesco,
vizinhança, procedência e vínculos; definidos por participação
em atividades comunitárias e desportivas, que se remete a uma série
de códigos e permite identificar quem é e quem não
é “pedaço”.
Durante
todo o tempo que estivemos em campo pudemos observar, seja através
das conversas com moradores ou dos eventos de que participamos, a importância
dos eventos patrocinados pelas escolas de samba, com destaque para os jogos
de futebol:
No Parque Peruche, as pessoas
se identificam muito com o futebol e tem nele um importante meio de sociabilidade.
Desde o início do bairro, isto acontece. Apesar de existirem alguns
times de futebol tradicionais (Ponte Preta do Parque Peruche, Cruz da Esperança,
Dragões) é na atualidade o time de futebol de salão
“Memo-Memo” o que mais empolga os “peruchenses”. Apesar de novo (fundado
em 2001), já se sagrou campeão paulista de futebol de salão
e arrasta uma enorme torcida do bairro, com muito batuque por onde quer
que vá jogar. Curiosamente, na manga da camisa do uniforme do time
há uma bandeira do Parque Peruche, escolhida pelos moradores na
primeira vez em que se comemorou o aniversário do bairro (Valter).
Esta
presença das batucadas nos jogos de futebol também é
lembrada por Osvaldinho da Cuíca, importante sambista da cidade
de São Paulo, ao comentar sobre a formação do cordão
carnavalesco Cai-Cai, que depois mudou seu nome para Vai-Vai; ainda na
década de 1920.
Antigamente se ia batucar
no campo de futebol, fazendo som com instrumentos improvisados até
a noite (Osvaldinho da Cuíca)
.
A prática do futebol propicia
a sociabilidade entre pessoas de outras localidades e dos mais distintos
segmentos sociais. Nos encontros, muitas trocas se realizam e novos convites
para partidas são feitos. Esta associação entre a
fundação de escolas de samba e a prática do futebol
é verificada em outros casos, como no da Escola de Samba Rosas de
Ouro:
A Rosas de Ouro se originou
do time de futebol Glorioso, a partir da reunião de pessoas como
nós que acompanhávamos a batucada durante e depois da partida
(Maria Helena Brito)
.
Segundo a perspectiva do grupo
de pessoas entrevistadas, a presença das escolas de samba permite
a criação de valores identitários comuns. Para esse
grupo, a noção de pertencimento vem atrelada ao imaginário
relacionado com a formação do próprio bairro:
Eu desfilo na escola do
bairro onde eu nasci, onde eu cresci, onde eu acompanho desde pequena.
Então eu posso falar que é a escola do meu coração
(Ana). 